Na tentativa de solucionar o impasse sobre o rumo
do PSB na eleição municipal em São Paulo, o presidente do partido, o governador
Eduardo Campos (PE), dirá hoje às lideranças paulistas da sigla que as
movimentações pró candidatura do ex-governador José Serra à Prefeitura não têm
validade nenhuma. Campos não descarta uma intervenção no diretório local do PSB
para que seja fechada a aliança em torno do candidato do PT, Fernando
Haddad.
O PSDB, por outro lado, colocou em campo uma
operação para evitar que o PSB escolha o PT como parceiro nesta eleição. Com a
ajuda do prefeito paulistano, Gilberto Kassab (PSD), os tucanos querem o apoio
da sigla a Serra, que conversou com os líderes do PSB com o objetivo de
segurá-los na coligação liderada pelo PSDB. Em São Paulo, os socialistas fazem
parte do governo tucano de Geraldo Alckmin e estão alinhados à gestão
Kassab.
Campos aproveitará sua passagem hoje por São
Paulo para conversar com esses dirigentes do PSB. Vai lembrá-los de que o último
congresso do partido, em novembro, decidiu que todas as alianças para as
eleições em capitais e cidades com mais de 200 mil habitantes têm de ser
homologadas pelo diretório nacional.
Como os socialistas só se aproximaram de Serra,
sem uma decisão tomada pelo diretório, Campos não anunciará uma intervenção. Mas
deixará claro que ela poderá ocorrer, caso os paulistas insistam em ficar do
lado tucano. Campos conversou com a presidente Dilma Rousseff e com o
ex-presidente Lula sobre a situação. Cotado para vice do PT na eleição
presidencial de 2014, o governador tem interesse em se tornar um aliado
prioritário dos petistas.
Kassab chamou ontem o presidente do PSB
municipal, Eliseu Gabriel, para uma conversa. Mostrou disposição de colaborar
com a eleição dos vereadores da sigla, caso seja feita a aliança. Gabriel, que
já trabalhou com Serra no governo Franco Montoro (1983-1987), reuniu-se com o
ex-governador na semana passada. O presidente do PSB estadual, Marcio França,
secretário de Turismo de Alckmin, conversou com Serra sobre a coligação.
“A opinião do presidente do partido tem muito
peso. Nós, no entanto, achamos mais natural caminhar com o governador Alckmin”,
declarou França.
O PSDB pretende apoiar o PSB em cidades do
interior e do litoral, como Campinas, São José do Rio Preto, Guaratinguetá,
Limeira, São Vicente e Peruíbe, em troca do apoio na capital.
Orientação
De acordo com interlocutores do governador de
Pernambuco, a situação em São Paulo é bem entendida pela direção da legenda. Mas
a política de alianças para a disputa pela Prefeitura paulistana terá de ser a
que vier da orientação da presidência do partido.
Campos foi um dos articuladores de uma aliança de
Kassab com o PT para apoiar Haddad. Mas quando Serra resolveu concorrer à
Prefeitura, o prefeito voltou-se para os tucanos. Assim que tomou a decisão de
não mais apoiar Haddad, Kassab ligou para Campos, falou da intenção do
ex-governador de concorrer e de seu compromisso com ele.
Sem condições de mudar a decisão de Kassab, o
presidente do PSB ligou para a presidente Dilma Rousseff para avisar que José
Serra iria concorrer à Prefeitura de São Paulo. :